domingo, 12 de agosto de 2012

Técnica que mistura ioga, massagem e meditação auxilia no tratamento da depressão


Técnica que mistura ioga, massagem e meditação auxilia no tratamento da depressão

 A terapeuta corporal Alda Martinelli descobriu a Yoga Massagem Ayurvédica por acaso, na década de 1990, e, anos mais tarde, abandonou a profissão de jornalista para se dedicar à técnica. Para ela, a massagem funcionou para aliviar problemas nas costas.

Mas foram seus joelhos que a levaram a fazer um curso na Índia com a criadora da modalidade e a escrever o recém-lançado livro Yoga Massagem Ayurvédica – A Transformação pelo Toque. Após cirurgias malsucedidas, foi por meio dessa massagem que Martinelli encontrou um pouco de alívio para as dores que sentia.

Pouco conhecida no Brasil, a YMA foi criada nos anos 1980 pela indiana Kusum Modak e mistura exercícios de alongamento, respiração e meditação para trazer bem-estar aos pacientes.

Na técnica de Yoga Massagem Ayurvédica, o paciente não é passivo, mas participa ativamente das posições, que são todas realizadas com o auxílio de um terapeuta especializado

A base do método são os procedimentos da massagem tradicional indiana com posições da ioga. “Ou seja, os deslizamentos, amassamentos e pressões com as mãos e os pés estimulam a circulação e aquecem a musculatura e as articulações, preparando o corpo para as flexões, torções e alongamentos baseados nas posturas da ioga”, afirma Martinelli.

A grande diferença em relação a outros métodos é que não se trata de uma massagem passiva, mas que conta com a total participação do paciente. É preciso estar o tempo todo consciente de seu corpo para sentir os benefícios. “Não é uma massagem em que se fica deitado relaxando, mas fica-se consciente para modificar os padrões e restabelecer o equilíbrio do corpo”, explica.

Por isso, a YMA é indicada para o equilíbrio emocional. Segundo ela, o tratamento de problemas como depressão e síndrome do pânico encontra grande auxílio nesta técnica.

Vivendo na correria de São Paulo, o empresário mineiro José Mucinho, 44, viu-se em depressão alguns anos atrás. Junto aos tratamentos convencionais (terapia e remédios), ele considera que a massagem foi fundamental para auxiliar sua cura.

"O resultado foi imediato e decisivo. Os toques, as dobras, os exercícios respiratórios, a energização, tudo isso operou em mim a exata medida do que eu necessitava: o concílio entre mente e corpo, a correção dos fluxos sanguíneos, do sistema linfático, o alinhamento das ideias, a calma", relembra.

Além dos benefícios emocionais, há a parte física. A YMA ajuda a mobilizar os ossos, a musculatura e as articulações do corpo e, entre os principais benefícios que proporciona, está a maior consciência corporal.

Definida pela terapeuta como uma massagem “delicada e vigorosa ao mesmo tempo”, a YMA começa com um aquecimento do corpo feito com um óleo especial e com uma sessão de alongamentos, feitos de acordo com o problema de cada um.
Alívio do estresse e das tensões do dia a dia são alguns dos benefícios da técnica

A modalidade também pode auxiliar no tratamento de pessoas com depressão e síndrome do pânico

O método conta com mais de cem manobras, realizadas de acordo com o limite de cada pessoa, sem forçar nada. O objetivo não é sentir dor, mas relaxar tanto a mente quanto o corpo, e se soltar aos poucos. “É uma massagem prazerosa, que vai ‘arrumando’ aos poucos o corpo. Às vezes sente-se dor, mas é uma dor boa, que solta”, afirma Martinelli.

Devido ao grande foco na meditação, a técnica também colabora para aliviar tensões e combater a insônia. Ajuda também a reduzir o estresse e problemas decorrentes dele, como o bruxismo (ranger os dentes enquanto dorme).

Para fazer a YMA tem de se estar consciente da respiração, do corpo, da postura. Isso, segundo ela, já é uma espécie de "meditação", pois meditar nada mais é do que prestar atenção em si mesmo e no que se está fazendo no momento.

O foco na respiração é outro ponto importante e vale para toda a sessão de YMA, que dura até 1h15. “A respiração faz 80% do trabalho, levando oxigênio para as células, relaxando a musculatura. Não é algo passivo, mas de conscientização, que vai gerando a mudança no físico e no mental”, explica.

Esse trabalho na respiração, que leva a uma maior oxigenação das células, auxilia no tratamento da pressão alta, enxaqueca, zumbido na orelha, asma e bronquite.

“A massagem alivia a tensão, fortalece o sistema imunológico, desintoxica o organismo e rejuvenesce a pele”, pontua ela. Outro benefício é deixar os músculos mais tonificados e lubrificar as articulações. Por isso, ajuda quem tem reumatismo e artrose a ter mais qualidade de vida.

A melhora na autoestima também é evidente, segundo a terapeuta. “Se a pessoa não se cuida muito, passa a se enxergar melhor, na busca de uma melhora”, acredita.

Não há restrições de idade para a técnica, que pode ser feita por adolescentes, adultos e idosos. Ela deve ser evitada, no entanto, por portadores de algumas doenças como veias varicosas, trombose, flebite, dissecção arterial, câncer, hipertensão arterial não controlada e problemas na pele, como infecções, escoriações ou inflamações agudas. Grávidas até o quarto mês e pacientes com fraturas e cirurgias recentes também não podem realizar a massagem.

Em todos os casos, vale consultar o seu médico antes de submeter à técnica.

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